Tantra

O Tantra e o Yoga Sagrado da Mãe Divina

A Verdade

O Tantra é uma ciência e um caminho espiritual complexo, para que possamos compreendê-lo é necessário mergulhar de cabeça em sua alquimia, metafísica e teologia. Sem isso os erros comuns persistirão e continuaremos a vê-lo como sexo barato vendido a rodo pelo planeta em anúncios de massagens com “belas” mulheres na capa.

O Tantra é uma ciência e um caminho espiritual complexo, para que possamos compreendê-lo é necessário mergulhar de cabeça em sua alquimia, metafísica e teologia. Sem isso os erros comuns persistirão e continuaremos a vê-lo como sexo barato vendido a rodo pelo planeta em anúncios de massagens com “belas” mulheres na capa.
Ver o tantra como sexo é o mesmo que comparar uma missa católica com canibais, ofertando o corpo e o sangue de cristo.
Que fique bem claro a partir de agora que o Tantra nada tem a ver com os Kamasastras, altamente divulgado no ocidente através do Kamasutra.
O ocidente foi inundado por escolas neo-tântricas que se afastaram do verdadeiro objetivo do tantra, por falta de compreensão por parte de seus difusores, da verdadeira essência da tradição tântrica. Milhares de livros somente oferecendo e disseminando o sexo hiper-orgiástico, levando com isso a degeneração da tradição verdadeira. O resultado disso tudo é: clubinhos pseudo-tântricos que se pretendem passar por tântricos espiritualizados, onde todos se denominam terapeutas mas que na melhor das hipóteses são massagistas sexuais, um hedonismo puro e simples que prende o buscador a forma ao invés de impulsioná-lo a sua real essência.
Devido a sua indulgência e abertura a todas as pessoas independente de casta e sexo, sem exigência de ascetismo e espírito de renúncia, procurando sempre conciliar o objetivo de auto-realização, liberação (moksha) e união (yoga) com a experiência da vivência prazerosa da vida comum (bhoga), esse tipo de “terapeuta” se sentiu confortável em se divulgar como tântrico…
Na Índia a religião e o ritual estão ligados como uma só coisa, pois o ritual é a arte da religião, o tantra é a vivência dessa forte ligação entre o povo hindu e o sagrado. Como tal, seus adeptos o consideram o caminho mais adequado para acessar o divino.
Para o tantra tudo é divino, é reflexo da grande criação, em sua concepção, os rituais tântricos nos fornecem uma conexão que interliga o homem, o universo e a hierarquia divina. Essa conexão constitui um complexo sistema de símbolos que estabelecem uma identidade entre o indivíduo e o todo. Pois, visto em seus fundamentos tudo no universo é constituído por uma complexa massa de vibrações elementares denominada vrtti-spanda (movimento vibratório). Entender e governar tudo isso é o caminho… esse caminho é denominado tantra sadhana.
A palavra tantra teria mais sentido se sempre fosse pronunciada no plural, devido a variedade de ramos, sistemas, linhas e seitas, cujos rituais são caracterizados como tântricos. Portanto o tantra é constituído por um conjunto de tradições distintas e unidas por um corpo de conhecimento, contextos ritualísticos e mágicos em comum, com o objetivo de levar o praticante a vivenciar a felicidade na união com o divino.
O objetivo do tantra é sucintamente definido pela própria palavra. Ela é a combinação de duas raizes sânscritas: tanoti, que significa expansão e trayati, que significa liberação. Isto implica que o tantra é o método para se expandir a mente e liberar a energia potencial latente. A fim de se entender o tantra, primeiro precisamos compreender exatamente o que significa expandir a mente e liberar a energia.
A grosso modo o significado é teia ou urdidura. Este radical também forma a palavra tantu (fio ou cordão). Enquanto um fio é alguma coisa extensiva, uma teia sugere expansão. Tantra também pode representar sistema, ritual, doutrina e compêndio. Tantra é o que expande o jnãna, que pode significar conhecimento ou sabedoria. Tantra é a realidade expansiva que abrange tudo, revelada pela sabedoria.
Tantra é também a realidade expansiva, que abrange tudo, revelada pela sabedoria.
O Tantra hindu de modo geral considera os ensinamentos revelatórios do Vedas como seu ponto de partida. Os Tantras muitas vezes são considerados os quinto veda, claro que esta questão é controversa e contestada pelos brâmanes ortodoxos.

A abordagem corporal positiva do tantra é conseqüência direta desta metafísica integrativa, segundo o qual este mundo não é mera ilusão, mas sim uma manifestação da suprema realidade. Se o mundo é real, o corpo também o é e como tal uma linda manifestação do divino. Se devemos honrar o mundo como uma criação e um aspecto do poder divino, da mesma maneira honramos nosso corpo. O corpo é uma peça do mundo, e como tal o mundo também é uma peça do corpo. Por conseqüência quando entendermos o corpo verdadeiramente, descobriremos o que é o mundo, que em essência é divino.
Nosso corpo possui um sistema nervoso completo que permite as mais elevadas expressões da consciência, por esta razão é tão valioso.
Um bom exemplo de tudo isso é uma afirmação frequentemente citada do vishva-sara-tantra que diz: “o que está aqui, está em toda parte; o que não está aqui, não está em lugar algum”.
O espírito tântrico com suas imagens, mitos e ritos sempre esteve de alguma forma contido no universo das tradições da mãe índia, mesmo entre aquelas consideradas mais ortodoxas e apegadas ao modo de ser védico, com normas rígidas e ascéticas, pois praticamente todas as tradições tinham algum tipo de ritual voltado para a prática da alquimia e do yoga, como uma forma de aprimoramento e desenvolvimento do poder pessoal e de acesso ao mundo mágico dos deuses e principalmente das deusas.
Tentando achar as origens históricas do tantra, devemos buscá-las no período pré-védico, em que as formas de culto eram menos intelectualizadas e muito mais ligadas à natureza e à fertilidade. São poucos os registros históricos deste período, o que torna a nossa pesquisa muito difícil e incerta, salvo os casos em que se tem evidências concretas obtidas de achados arqueológicos e fragmentos de textos antigos.
Os primeiros indícios de rituais associados à maternidade, fertilidade do solo e à agricultura foram encontrados em pesquisas arqueológicas nas antigas civilizações do Vale do Indo, nas cidades de Harappa e Mohenjodaro (2500 a.c.) essa associação era comum e quase todas as civilizações antigas viam uma profunda identidade entre o crescimento das plantas e o nascimento das crianças. Por causa desta identificação, elas faziam celebrações com ritos sexuais para promover a fertilidade dos campos, prática que até poucos séculos atrás era também comum entre povos da europa.
Outra coisa que também era conhecida, que o sangramento de uma pessoa que foi ferida pode levar à morte se não estancado. Ocasionando assim uma associação entre o sangue e o princípio da vida, pois a perda do sangue leva consigo a vida. Outro ponto importante na relação entre o princípio da vida e o sangue foi a observação de que uma mulher jovem, ao parar de sangrar pela suspensão da menstruação, dá início ao processo em que uma criança nasce através da vulva (yoni). Nasce aqui o Yoni Puja.
A deusa é a yoni, útero materno dos ciclos perenes dos éons, de todos os universos que se expandem infinitos no espaço, de cada átomo de célula vivente. Ela é chamada de – o poder universal – Shakti – a mais bela dos três mundos.
Para o antigo povo tântrico o culto à Yoni(vulva) era um portal mágico capaz de trazer uma vida do mundo dos espíritos para o mundo dos humanos. A celebração da vida, assim deste ponto em diante a mulher passa a ser percebida como uma representante física da deusa mãe, aquela que trouxe o cosmos à vida, e seu corpo passa a ser cultuado como o cálice sagrado ou o templo vivo da Devi (Deusa).
Assim os cultos tântricos evoluíram a partir de movimentos devocionais associados ao culto das deusas, que aos poucos foi incorporando ritos de celebração.
A origem destes cultos devocionais é muito antiga, e no tempo dos vedas (séc. Xviiia.c.) o eterno feminino era cultuado com imagens das deusas Usa, Aranyani, Gayatri e Durga entre outras. Já mais tarde no período das Upanishads, as principais deusas eram Uma, Narasimhi e Tripura, que com o tempo foram substituídas por Mahakali, Tripurasundari e Rajarajesvari, em uma linha ininterrupta, consolidando assim o poder das mulheres Deusas, o matriarcal como sagrado na fé popular.
Mesmo hoje em dia é quase impossível encontrar um lar hindu em que não haja uma forma da deusa como o aspecto feminino sagrado como imagens de Kali, Lakshmi, Saraswati e Durga em um local sagrado de destaque.

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